Acervo Histórico

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APRESENTAÇÃO

 

 

“Meus caros filhos: E de aulas, como vamos? Procurem aproveitar o tempo em todos os sentidos, que mais tarde daremos por bem empregado o sacrifício da separação. Não achão, meus filhos? Sejão sempre delicados e bomsinhos com todos (…)
Quanto sentimos não estarmos ahi presentes, afim de assistirmos à sua festa tão solemne, porém, apesar da distancia que nos separa, d´aqui mesmo lançamos a nossa benção e pedimos a Deus que sempre proteja os nossos filhos e que os guie no bom caminho, a fim de ficarem homens dignos e estimados e respeitados na sociedade (…) Aceitem muitas lembranças de todos da família e em particular a benção e um saudoso abraço, mil beijos de vossa Mãe e a bênção de vosso Pae e amigo, Augusto”


(Trecho de carta de Augusto de Souza Queiroz em 1889 aos filhos Henrique e Joaquim, que ainda crianças foram enviados a estudar na Alemanha, segundo a tradição familiar).

 

 

 

Com a divulgação na internet do acervo centenário pertencente à família Souza Queiroz e ao Instituto Ana Rosa, são reunidos pela primeira vez uma vasta quantidade de registros históricos que vêm sendo armazenados desde as primeiras gerações da família.


Devido à sua própria natureza histórica, esse conteúdo vinha pleiteando um tratamento mais permanente de identificação, preservação e catalogação, cuja concretização foi iniciada a partir de um novo projeto de gestão documental no Instituto Ana Rosa.


O acervo em processo de digitalização é composto de textos, fotos, vídeos, recortes, cartas, impressos, certidões, registros escolares, finanças, genealogias, livros, documentos oficiais, cursos, receitas, contatos, notícias e muitos relatos da história da família, parcialmente resgatados por meio do processo de história oral. Já foram digitalizadas mais de 10 mil imagens do acervo, mas ainda existem outras dezenas de milhares aguardando o processamento.


Também estão incluídos nesse acervo artefatos históricos como quadros, mobiliário, utensílios, objetos pessoais, peças de vestuário, louça brasonada, equipamentos e até um portão, de meados do século XIX.


Aqui é oportuno relembrar a palavra de um de seus filhos mais dedicados a essa obra de resgate e preservação:


 

Ao fazer esta publicação […]  o Instituto Ana Rosa quer mostrar a face humana dos dados exatos neles contidos, dando subsídios consistentes a nossa história familiar.


Sabemos que, para além do colorido afetuoso com que são tingidas nossas lembranças de família, o importante a preservar consiste nos valores de humanidade que dirigiram nossos antepassados. Valores que herdamos e que queremos transmitir às próximas gerações da família. E qual a melhor maneira de fazer isso, senão nas deliciosas narrativas que estamos acostumados a ouvir, contadas pelos avós a seus netos, com um ligeiro sabor de fantasia?


Para que o fio da meada desse emaranhado de histórias não se perca, lembremos um pouco dos fatos e conservemos os documentos...


Luiz Roberto de Souza Queiroz, com sua paciência de investigador deliciado, tem garimpado várias pepitas brilhantes nas velhas caixas há muito herdadas. A primeira grande surpresa surgiu no acervo de Ruy de Souza Queiroz: o formal de partilha da baronesa de Souza Queiroz, contendo o testamento por ela ditado. Do mesmo acervo vem o decreto de criação do título de Barão com Grandeza, a carta de concessão do título de Moço Fidalgo da Casa Imperial a Francisco Antônio, filho mais velho do Barão, que era chamado, em família, de tio Chiquito.


Do acervo do próprio Luiz Roberto é a carta de nomeação do Barão como Vice-Presidente da Província de São Paulo, e também as fotografias enviadas pela princesa Isabel, já no exílio, a tio Chiquito e sua esposa.


São reproduzidos ainda um soneto do Imperador no exílio e o texto do Armorial do Colégio de Armas e Consulta Heráldica do Brasil sobre consulta feita por Frederico de Souza Queiroz Filho em 1954 a respeito do direito de uso do brasão.

Memória e história convivem nesses documentos, e exumá-los significa reencontrar-nos com nosso passado. Se não sentirmos a história como nossa, nunca seremos responsáveis por ela, dirigindo nosso presente a um futuro novo e desperto para liberdade e plenitude. Nossos maiores nos legaram a fé, e com ela um caminho para a plena realização humana pela vivência em comunhão. Que a criatividade do passado nos dê a coragem de inventar um futuro novo e belo para as próximas gerações, educando, estimulando e amando os jovens de hoje. Esta é a nossa história, esta é a missão do Instituto.


D. Carlos Eduardo Uchôa Fagundes Jr., OSB