Mensagens na comemoração dos 150 anos

Maria Lucia

Queridos primos, amigos e colaboradores do Instituto Ana Rosa,

Hoje nos reunimos para comemorar uma data marcante: os 150 anos de fundação da Associação Barão de Souza Queiroz de Proteção à Infância e à Juventude – o Instituto Ana Rosa, como é mais conhecido. 

Já em 1874, o fundador Barão de Souza Queiroz, nosso antepassado em comum, definiu 2 objetivos que seriam a base que perpetuaria o bom uso do legado inicial de d. Ana Rosa de Araújo Galvão. 

O primeiro, a criação de uma obra social que melhorasse o futuro de jovens, na época qualificados como “infância desvalida”, e o segundo, a união da família em prol desta causa.

Podemos dizer, com muito orgulho, que 150 anos depois:

– o sonho dele continua acontecendo e

– a família se manteve unida e continua ajudando crianças e jovens.

O Instituto começou com 62 jovens e hoje, 150 anos depois, são quase 1.000. O pequeno abrigo de então é hoje um complexo com mais de 30 mil metros quadrados, tendo se tornado referência de atendimento de qualidade para crianças e jovens em nossa cidade. 

Entendemos que a grande diferença é feita pela soma dos esforços de muitas pessoas e concluímos que selecionar um ou outro participante, em homenagens individuais, seria uma grande injustiça, posto que o maior diferencial do Ana Rosa é ser a soma de diversos esforços. 

Diante disso resolvemos homenagear nominalmente apenas o Barão de Souza Queiroz: Na medida em que mantemos a família unida em torno de uma causa social, ele se mantém entre nós.

Em nome de todo o Conselho Diretor agradeço a presença de cada um de vocês e à maravilhosa equipe de nossos colaboradores que garante, no dia-a-dia, a qualidade dos serviços aqui prestados. 

Agradeço especialmente à equipe que se envolveu na preparação deste encontro e aos fornecedores que nos ofereceram condições muito especiais para que este encontro acontecesse. 

Aproveito para lembrar que quase tudo o que está sendo servido hoje foi feito internamente.

Muitas pessoas nos perguntaram qual seria o preço a pagar pelo convite. A decisão foi não cobrarmos nada, para incentivar a vinda de toda a família. No entanto as nossas crianças ficarão muito contentes com todas as doações recebidas. 

E para terminar lembro de uma frase de nosso fundador, que está gravada numa placa na galeria de quadros: “MUDAM-SE OS NOMES, MAS FICA O IDEAL QUE UNE TODOS NÓS À NOSSA ASSOCIAÇÃO.”

E obrigada pela presença de todos vocês!

Rodrigo Brotero

Primeiramente, boa tarde! Gostaria de agradecer, novamente, a presença de todos.

Há 150 anos o Barão de Souza Queiroz iniciava a ‘Sociedade Protetora da Infância Desvalida’, mantenedora do nosso ‘Instituto Dona Ana Rosa’.

São Paulo contava, então, com 20.000 habitantes!

Apenas para contextualizar, a corte, a cidade do Rio de Janeiro, contava com 270.000. Todo o estado de São Paulo, pouco mais de 700 mil. Um terço da população de Minas Gerais.

Foi a partir da criação, por nossos antepassados, das Cias. Ytuana de Estradas de Ferro e Paulista de Estradas de Ferro que, interligadas a Santos pela Santos-Jundiahy, possibilitaram escoar a produção paulista, notadamente o café, dando início ao ciclo de crescimento que tornou São Paulo no gigante que é hoje. 

Bem, derivações à parte, de lá para cá, um expressivo número de crianças e jovens receberam em nosso Instituto, atenção e cuidados envolvendo não menos que saúde, nutrição, formação, educação, iniciação profissional, esporte, lazer e artes.

Nossa Associação é um trabalho eminentemente familiar. Uma organização familiar no sentido amplo, que inclui todos os que se juntam em nossa missão, familiares, colaboradores, amigos, voluntários e ex-alunos. 

O que nos tem unido enquanto família Ana Rosa, vai assim muito além de simples laços de sangue. 

São sentimentos, memórias, referências e valores em comum. 

Contando e ouvindo ‘causos’, histórias, lembranças e realizações de nossos antepassados, nos reconhecemos enquanto parte de um todo, enquanto clã, enquanto frutos da mesma árvore. 

Nesses tempos de imediatismo utilitário, em que a família vem sendo tão ameaçada, do perigoso abandono dos valores mais caros de nossa civilização, é mais do que gratificante termos sobrevivido e continuarmos a cumprir bem nosso papel ininterruptamente por tanto tempo, num trabalho que começou numa roda de conversa entre pais, irmãos, primos e amigos. 

Um século e meio. Poucas organizações brasileiras, aí incluídas as mais lucrativas, atingiram tal marca.

Nosso querido primo Carlinhos (Dom Eduardo) escreveu um texto com um título ótimo: “Família com Projeto”. 

Gosto de pensar que somos parte de uma ‘Família com Projeto’. 

Lá ele diz do Instituto:

 “Este é o único verdadeiro patrimônio de família que nos é legado. (…) Temos aqui pensamentos, valores e condutas, reavivados, cujos indícios gravitam à nossa frente e se expressam de várias formas, oferecendo-se a nós como lastro para a criação do futuro.”

Aqui temos, hoje, mais que um projeto. Temos uma organização viva, pulsante, que compartilha uma visão de mundo, de brasilidade e de família, que sabemos, não começou agora, tampouco com a fundação do Instituto D. Ana Rosa. São valores fundamentais do homem e da vida em sociedade, arraigados, aceitos e disseminados com amor e exemplo, geração após geração.

Estamos já na 6ª e 7ª geração da família. Passamos por 5 sedes, por inúmeras tipologias de atendimento e milhares de assistidos. Se o Ana Rosa permanece vivo é porque soube sempre se adaptar a seu tempo, mantendo sempre seu norte, seus valores e seus ideais.

Milhares de pessoas se juntaram a nós nessa vibrante caminhada. Atendidos, equipe, voluntários.

É assim que vamos, passo a passo, construindo, adequando e reinventando o Ana Rosa para o século XXI, com seus desafios, necessidades e oportunidades. 

Como disse nossa presidente, em todo trabalho eminentemente coletivo, é difícil fazer justiça a todos que colaboraram.

Na história do Ana Rosa, todos somos igualmente importantes. É como uma corrente ou uma corrida de obstáculos, onde todos são relevantes. Há quem dedica parte expressiva de sua vida à casa, há os que aqui nos vêm prestigiar eventualmente, há quem contribui, há quem apoia de casa, enfim, somos muitos e somos um só. Uma só família Souza Queiroz expandida. Uma família Ana Rosa!

De forma que nossa homenagem na importante data de hoje é para nosso fundador, representando não só sua descendência, mas a todos que se juntaram a nós, incluídos cada um de vocês, presentes e ausentes, que contribuíram e contribuem para que nossa caminhada continue, ‘em torno do mesmo ideal”. 

Sintam-se, portanto, todos homenageados!   

Uma curiosidade: nossas crianças e jovens, frequentemente tiram fotos junto ao busto do Barão, dizendo: vou tirar uma foto com nosso avô!

Tenho certeza de que, lá de cima, ele fica enternecido por essa reiterada manifestação de carinho e afeto. Esse pertencimento, parece-me, é o que de melhor entregamos para nossas crianças que vão carregar esse legado pelo resto de suas vidas.

Bom, antes que o Zeca me tire o microfone, e já que não posso agradecer a ninguém especificamente, nem mesmo a minha nora pelos lindos desenhos que fez para os convites, nem a Daniela pelo incansável e eficiente preparo da festa. Vou parando por aqui, repetindo o privilégio que é para mim pertencer ao Ana Rosa e trabalhar com primos tão queridos e dedicados. Claro, em especial, com a Málu, Maria Lucia Meirelles Reis, minha querida amiga e companheira de mais de 40 anos de trincheira e nossa competentíssima presidente para quem peço uma efusiva salva de palmas!